Rotina do amor platônico (do ônibus)

10 ago

Acordar. Arrumar. Sair. Andar. Chegar. Estudar. Sair. Entrar. Esbarrar. Sentar. Olhar. Amar. Amar. Amar. Admirar. Amar. Amar. Sorrir. Amar. Doer. Levantar. Saltar. Andar. Olhar. Sorrir. Amar. Pensar. Pensar. Pensar. Questionar. Dormir. Sonhar. Acordar.

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bem como sou

16 jun

Gosto quando o céu está azul e quando o vento passa pelo meu rosto. Brinco de descobrir desenhos em nuvens. Fotografo nuvens todos os dias. Gosto do outono. Gosto do drama, do estrago. Gosto de interpretar papéis diferentes quando converso com pessoas desconhecidas na rua. Imagino balões de pensamento quando vejo pessoas conversando, lá longe. Gosto de gatos, de cachorros, de pássaros. Gosto até um pouco de pessoas. Gosto de dormir, gosto de acordar pra ver o sol nascer. Gosto do frio e me divirto soltando fumaça pela boca. Gosto de pensar em possíveis diálogos antes de encontrar alguém. Gosto de imaginar como seria minha vida se fosse Clark Kent. Gosto de escrever, apesar de não saber fazer muito bem. Adoro o sorriso de todas as pessoas que conheço e tento fazer com que o mostrem pelo menos uma vez, todos os dias. Gosto de amores platônicos. Gosto de relacionamentos confusos. Gosto de coisas complicadas. Calço 38 e nunca acho um tênis pra mim. Gosto de comprar pijama e meias. Adoro meias. Gosto de observar o céu de madrugada, pela janela do quarto, antes de dormir. Gosto de seriados e sou apaixonada por, pelo menos, um personagem de cada um que assisto. Sou um Chuck Bartowski sem uma Sarah. Não gosto de sangue, mas sou apaixonada por séries policiais e de vampiros. Gosto de cinema e não tenho um filme predileto. Gosto de ler, mas nunca leio. Gosto de ouvir as pessoas, mas nunca faço perguntas. Gosto dos meus amigos, mas nunca disse isso a eles. Idem para minha família. Vivo no meu mundinho adolescente cheio de crises desde os 15 anos e não pretendo sair dele tão cedo. Gosto da faculdade, mas sempre digo que não gosto, isso evita que as pessoas perguntem sobre o assunto. Sempre quis fechar meus braços com tatuagens, mas tenho medo de agulhas. Sempre quis pular de pára-quedas, mas tenho medo de altura. Sempre quis amar alguém pra sempre, mas a única coisa que sei fazer é fugir. Sempre quis colocar num papel coisas que gosto e coisas que não gosto, mas sempre fica na metade, como agora.

Bobagem – Visão realista

15 jun

Olhos se cruzaram. Trocaram sorrisos, se provocaram, se encantaram. Lados opostos de um mesmo ambiente. Nada mais importava. Havia um plano traçado em cada uma, composto por idéias absurdas de como conseguir dar o primeiro passo ou de possíveis reações caso o primeiro passo viesse do outro lado. Queriam estar perto, coladas, usando todos os outros sentidos e não apenas a visão. Do lado de fora, um mundo inteiro de possibilidades que não influencivam em nada aquele momento. Olhares iam e voltavam, cabeças se abaixavam e retornavam para aquele momento onde nada mais importava, a não ser os olhos do outro lado. Ficaram assim por uma eternidade que durou apenas vinte segundos. Sabiam que ali, logo ali, do outro lado, estava toda perfeição que procuraram a vida toda. Há quem diga que amor a primeira vista não existe. Bobagem. Foi ali, durante a eternidade dos vinte segundos que perceberam que o amor pode estar em qualquer lugar oposto ao que a gente passa todos os dias.

O semáforo ficou verde, o momento de perfeição acabou e ambas seguiram seus caminhos. Nunca mais se encontraram. Há quem diga que amor a primeira vista não existe. Sou uma pessoa com a mesma opinião.

Bobagem

9 jun

Olhos se cruzaram. Trocaram sorrisos, se provocaram, se encantaram. Lados opostos de um mesmo ambiente. Nada mais importava. Havia um plano traçado em cada uma, composto por idéias absurdas de como conseguir dar o primeiro passo ou de possíveis reações caso o primeiro passo viesse do outro lado. Queriam estar perto, coladas, usando todos os outros sentidos e não apenas a visão. Pessoas aleatórias passavam entre elas e faziam com que os olhos procurassem possíveis brechas para se encontrarem novamente. Ficaram assim por uma eternidade que durou apenas dois minutos. Sabiam que ali, logo ali, do outro lado, estava toda perfeição que procuraram a vida toda. Há quem diga que amor a primeira vista não existe. Bobagem. Foi ali, durante a eternidade dos dois minutos que perceberam que o amor pode estar em qualquer lugar oposto ao que a gente passa todos os dias. Foi assim que começou. É desse jeito que se lembram quando questionadas sobre o primeiro encontro. É assim que hoje, depois de quarenta anos, contam a história de olhares cruzados que se tornou o maior amor do mundo. E há quem diga que essas coisas não existem.

Depois

8 jun

Superei. Depois de superar e sentir-se completo por um instante (apenas por estar só, como nos velhos tempos), tem-se a ideia de vazio novamente. Não por arrependimento ou por tudo que aconteceu no passado, isso acontece pelo simples fato de pensar que tudo que um dia valeu a pena, hoje não significa quase nada. Quase nada. É claro que toda a experiência fica guardada (não sei por quanto tempo), mas todas as coisas importantes de ontem se tornam apenas coisas, sem importância, sem tempo, sem conteúdo.

Não sei o que é mais triste, o tempo de sofrimento ou o tempo que se inicia depois da superação. Quando se está sofrendo todas as coisas continuam com seus determinados valores, mas quando se supera elas se perdem como folhas que o vento leva no outono. Percebe-se que todo aquele mundo maravilhoso que existia era apenas composto por momentos, pessoas, lugares e estações diferentes e que toda a perfeição desses momentos, dessas pessoas, desses lugares e das estações se perdeu um segundo depois da superação.

Por pensar demais, às vezes, prefiro nem pensar direito. Mas isso não se aplica a esse momento. Hoje, pensei muito, pensei demais, pensei o dia todo. É estranho olhar para o calendário quando se é dia 8 e não pensar absolutamente nada sobre um dia que um dia julguei como perfeito. É estranho olhar para o calendário e ver o número 26 e não comemorar mais um mês de namoro com alguém, mas apenas pensar que estou um mês mais velha. É estranho saber que o dia era dia 26, mas não lembrar o porquê dele ter sido escolhido. É estranho pensar no dia 8 e não se lembrar do gosto do beijo, do toque das mãos, do abraço e de tudo que aconteceu. Vejo apenas flashes de coisas sem importância.

Hoje conheci alguém. Esse alguém nem sabe dessas coisas. Esse alguém, como se fosse mágica, me fez esquecer dois anos da minha vida. Esse alguém nem sabe disso também. Sei que esse alguém nem vai “vingar”, mas hoje a julgo como importante personagem nessa história da minha vida. Amanhã posso nem lembrar seu nome, como nos conhecemos, o porque de ter escrito esse texto, mas hoje, agora, nesse-exato-momento sei que exagero quando expresso minha opinião sobre dias, pessoas e relacionamentos perfeitos.

Tentarei não me levar tão a sério. Superei, mas nem sei se isso ainda é importante.